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Assim é na Vila do Touro

Breve historia de Vila do Touro. Do neolitico até hoje !

Vila do Touro localiza-se a 10 quilómetros da sede de concelho (Sabugal) e deteve um papel fundamental na defesa das terras de Riba-Côa, especialmente na Idade Média. Nesta época chegou mesmo a ser denominada por Aldeia da Guarda.

Vila do Touro

Consta na povoação que o seu topónimo descende do nome do seu primeiro habitante: Taurus.

De facto, este nome pessoal, muito utilizado no século XII, parece ter dado origem ao topónimo da localidade. A introdução do termo vila está apenas relacionado com a categoria municipal que a povoação possui desde o século XIII.

Em Vila do Touro foram encontrados vestígios de ocupação da época do Neolítico e do Bronze.

No século XIII, D. Sancho I integra Vila de Touro no termo da Guarda. Este antigo concelho foi doado à Ordem dos Templários, por D. Afonso II. O seu primeiro foral, salamantino, foi-lhe outorgado por este rei, em 1220, através de D. Pedro Alvites (ou Alvito), mestre da Ordem dos Templários. D. Manuel I confirmou-lhe o foral em 1510, construiu o pelourinho e criou a misericórdia.

Pagina do foral de Vila do Touro de 1510

O Pelourinho, marco da antiga jurisdição deste povoamento, fica situado no Largo da Igreja e encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1933. Trata-se de um pelourinho renascentista, com pinha cónica, semelhante ao pelourinho de Alfaiates. Possui três degraus circulares, fuste circular de base quadrada, com duplo anel. É encimado por uma peça de secção circular e peça em forma de ábaco curvo. É rematado por uma pinha cónica, em forma de gárgula tubular de superfície estriada.

Pelourinho de  Vila do touro

D. Manuel I manteve a importância estratégica de Vila de Touro na defesa desta região. Aliás, a projecção deste antigo concelho só se dissipou com a reforma administrativa do Liberalismo, no século XIX.

Na época das crises políticas do século XIX tornou-se afamado o "Sete Capotes". Residente nesta povoação, era líder de um grupo de facínoras que praticava inúmeros roubos e assassinatos. Consta que terá sido fuzilado no pelourinho.

Do património edificado faz parte o Castelo, símbolo da importância militar que esta povoação teve em tempos. No século XVII foi destruído e, assim, restam apenas alguns panos de muralha e uma porta ogival, evidenciando uma arquitectura gótica. Poderá ter sido edificado sobre um antigo castro.

Porta do castelo

A povoação possui um núcleo histórico antigo, conjunto fundamentalmente medieval, onde sobressaem as casas de granito com características vernaculares. Deste núcleo saliente-se a Rua Direita e a Rua D. Pedro Alvito, onde podemos observar vários exemplares de janelas manuelinas e renascentistas e portas com vãos biselados.

portamanuelina

Em termos de arquitectura religiosa salienta-se a Igreja Matriz, dedicada a Santa Maria, localizada no centro da povoação. Terá sido construída no século XVI, sobre uma outra do século XIII, mais concretamente de 1220, que aparece referenciada num arrolamento paroquial de 1320-1321. Apresenta uma arquitectura simples, estando cercada de muros construídos no nosso século. No interior exibe o altar-mor em talha dourada e o tecto em caixotões, com pinturas dos Evangelistas e Apóstolos. Dos seus objectos litúrgicos salientam-se uma imagem de Nossa Senhora da Assunção e uma custódia em prata.

As Capelas de São Sebastião, de São Gens, da Senhora do Mercado e a Ermida de São Lázaro (de estilo gótico, com um alpendre setecentista) fazem ainda parte do espólio da arquitectura sacra. A Capela da Senhora do Mercado tem o seu topónimo relacionado com o mercado de gado que se realiza nas proximidades, para a qual revertem parte das receitas deste. Data do século XV-XVII e possui nave única. Como características principais apresenta o alpendre seiscentista assente em pilares prismáticos, a porta principal em arco ogival por oposição à porta lateral de arco de volta inteira, púlpito medieval de cantaria e retábulo em talha dourada.

Capela de Sao Gens

Não faltam também os exemplares de arquitectura civil de equipamento, como são o caso da Fonte de Paio Gomes, do Chafariz do Churro e do Chafariz do Carvalho.

O concelho de Vila de Touro foi extinto em 1836 e integrado no concelho do Sabugal.